AUTORRELACIONAMENTO E AUTOCONHECIMENTO
Patrícia Borges
O caminho da senda espiritual não é para todos. É para quem está disposto a implementar uma viagem rumo ao centro de seu próprio universo interior. Certamente há de se compreender que trata-se de uma jornada árdua e solitária pelos escaninhos mais complexos e secretos da consciência. É uma aventura que começa com o autorrelacionamento. É uma busca por si mesmo, pelas suas raízes ancestrais construídas ao longo de milênios. É um trabalho de lapidação interior pautada na verticalização dos conhecimentos acumulados e que agora surgem como uma força poderosa de transformação.
Abrigamos tesouros secretos que precisam ser descobertos. Somos uma fonte inesgotável de sabedoria, trazemos registrado em nossa essência a história do próprio universo, no entanto esta herança não pode ser alcançada por conta de nossa inércia evolutiva.
Hoje passamos dos sete bilhões de seres humanos dividindo o mesmo espaço físico. A tecnologia nos aproximou quebrando barreiras étnicas e culturais e o grande paradoxo de tudo isso é que nunca em toda a história tivemos a necessidade de estar tão sozinhos como agora. O ruído das informações instantâneas, a correria do dia a dia e as interações de todo o tipo nos faz perceber que há uma energia que nos conecta uns com os outros, mas as redes de interações ou conexões são construídas por seres que possuem uma individualidade bem peculiar. A grande questão que paira sobre nossas cabeças neste momento é: Quem sou eu nesta rede de relações? Qual é o meu papel em todo este contexto cósmico? Estas interrogações serão respondidas quando focarmos nossa atenção para dentro de nosso universo pessoal.
Para muitos a jornada começa com o despertar consciencial, porém é impossível determinar quando este despertar consciencial se inicia. O fato é que a magia deste despertar nos reveste em um casulo que vai nos proporcionando uma metamorfose lenta e solitária. De repente a solidão passa a ser uma necessidade imprescindível neste processo. Não falo da solidão patológica desprovida de fundamento e que nos arrasta para o precipício da depressão. Refiro-me àquela solidão ascética que nos dá uma sensação de plenitude, de paz e de contentamento. O autorrelacionamento, neste caso, configura-se num estilo de vida produtivo, rico em descobertas e de aprendizado que nos congrega num espírito de fraternidade aonde os rótulos deixam de fazer sentido e passamos a olhar o outro como extensão de nosso próprio ser.
Agora faz todo sentido quando Jesus fala que só é possível amar ao próximo quando primeiramente praticarmos o auto amor. O autoconhecimento é a chave para todos os mistérios do universo porque ele nos coloca como protagonistas de nossa própria história. Ele levanta o véu das ilusões que ofuscam nossos sentidos mais primitivos e nos faz enxergar além das sombras da caverna de nossos instintos. A vivência no casulo do autorrelacionamento também tem data de validade. Certamente chegará o dia em que a metamorfose se completará e voaremos livres e leves rumo a um novo estágio de trabalho e de mais transformações que culminarão na revelação de nossa verdadeira identidade cósmica.
Patrícia Borges.

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